A primeira parcela do 13º precisa cair na conta até 30 de novembro. Em 2026, a Black Friday é no dia 27, uma sexta-feira. O dinheiro extra chega na mesma semana em que todo aplicativo do seu celular resolve avisar que é a última chance.
Quem não decide antes para onde vai o 13º costuma saber só em janeiro, quando chegam o IPVA, o IPTU e a fatura das compras de dezembro. Uma ordem simples de prioridades evita isso, e ela começa por uma conta que quase ninguém faz, a de quanto vai cair de verdade.
Quando o dinheiro cai e quanto vem
Pela Lei 4.749, de 1965, a primeira parcela é paga entre fevereiro e novembro, e a segunda, até 20 de dezembro. Em 2026, o dia 20 cai num domingo, então o pagamento deve ser antecipado para o último dia útil antes dele, sexta-feira, 18.
A primeira parcela é metade do salário do mês anterior, sem desconto nenhum. O INSS e o imposto de renda entram na segunda, calculados sobre o 13º inteiro. É por isso que a segunda parcela quase sempre vem menor, e todo ano alguém acha que o RH errou a conta.
Veja o caso de quem ganha R$ 4.000 por mês:
| Parcela | Valor |
|---|---|
| Primeira, até 30 de novembro | R$ 2.000,00 |
| INSS sobre os R$ 4.000 do 13º | menos R$ 368,60 |
| Imposto de renda | zero |
| Segunda, até 18 de dezembro | R$ 1.631,40 |
No holerite de dezembro, a primeira parcela aparece como adiantamento já descontado do total, e os descontos vêm todos de uma vez. Se o valor líquido parecer estranho, refaça a conta com a tabela antes de reclamar com o RH.
O INSS segue a tabela progressiva de 2026, com alíquotas de 7,5% a 14%, fixada pela Portaria Interministerial MPS/MF 13. O imposto zerou por causa da Lei 15.270, de 2025. A redução que tirou do IR quem ganha até R$ 5 mil por mês vale também para o 13º, e diminui o imposto de quem recebe entre R$ 5 mil e R$ 7.350. Acima disso, o 13º paga IR normal, calculado separado do salário.
Algumas situações mudam a conta. Quem entrou na empresa no meio do ano recebe proporcional, 1/12 por mês trabalhado, e 15 dias ou mais contam como mês inteiro, pela Lei 4.090. A mesma lei garante o 13º proporcional a quem foi demitido sem justa causa, pago na rescisão. Quem pediu em janeiro pode ter recebido a primeira parcela junto com as férias.
Aposentados e pensionistas do INSS já receberam o deles. Em 2026, o 13º saiu junto com os benefícios de abril e maio, pelo Decreto 12.884, e não tem nova parcela em dezembro.
Primeiro, as dívidas caras
Se você tem saldo no rotativo do cartão ou no cheque especial, a decisão já está tomada. No dado mais recente do Banco Central, de julho de 2026, o rotativo cobrava em média 436,15% ao ano. O cheque especial saía por 137,30%, e o empréstimo pessoal sem consignação, por 110,95%.
Pra comparar, o CDI estava em 13,65% ao ano em setembro de 2026. No ritmo médio do rotativo, perto de 15% ao mês, R$ 2.000 parados um mês no cartão custam uns R$ 300 de juros. Os mesmos R$ 2.000 num CDB que paga 100% do CDI rendem uns R$ 21 no mês, antes do imposto. Não existe aplicação honesta que chegue perto do juro do cartão.
Quem tem mais de uma dívida deve começar pela de juro mais alto, não pela de saldo maior. Se alguma já está atrasada, ligue antes de pagar. Dívida vencida costuma aceitar desconto pra quitação à vista, e dinheiro na mão é o melhor argumento numa negociação.
Com dívida parcelada em dia, o 13º também trabalha a seu favor. O Código de Defesa do Consumidor garante, no artigo 52, a quitação antecipada com redução proporcional dos juros. Peça ao banco o valor pra quitar hoje e compare com a soma das parcelas que faltam. A diferença é o seu desconto, e ela pesa mais nas parcelas mais distantes.
Se o cartão já virou bola de neve, o caminho completo está no nosso texto sobre rotativo e pagamento mínimo.
Separe janeiro antes de dezembro acabar
Para muita família, janeiro é o mês mais caro do ano. IPVA, IPTU, matrícula e material escolar chegam juntos, logo depois das festas, e o 13º é o único dinheiro extra que aparece antes dessa conta. Some os boletos que você já sabe que vêm e separe esse valor antes de gastar qualquer coisa.
Quem paga à vista ainda ganha um bônus. Em São Paulo, o IPVA de 2026 deu 3% de desconto a quem quitou tudo em janeiro. Num carro com IPVA de R$ 2.000, são R$ 60 que ficam no seu bolso, sem o risco de esquecer uma parcela nos meses seguintes. Muitas prefeituras fazem o mesmo com o IPTU, então confira o carnê da sua cidade.
Esse dinheiro fica parado só algumas semanas e não precisa de nada sofisticado. Uma conta ou caixinha que pague 100% do CDI, com resgate na hora, resolve. O rendimento vai ser pequeno, e nos primeiros 30 dias o IOF ainda leva uma parte dele. O que importa é o dinheiro estar lá quando o boleto chegar.
Sem reserva, o 13º começa por ela
Se hoje uma geladeira quebrada vira parcela no cartão, o melhor destino pro 13º é começar a reserva de emergência, antes de qualquer investimento. Quanto guardar e onde deixar está no nosso texto sobre reserva de emergência.
Ninguém precisa fechar a reserva inteira agora. Pra quem gasta mais ou menos o que ganha, um 13º equivale a um mês de despesas, e esse primeiro mês guardado já muda o jeito como você enfrenta o próximo imprevisto.
Se sobrar, invista com prazo definido
Com a dívida cara zerada, janeiro separado e a reserva andando, aí sim faz sentido investir. O que define o produto é quando você vai precisar do dinheiro.
Para um objetivo de um ou dois anos, CDB de banco grande, Tesouro Selic ou Tesouro Prefixado dão conta. O CDB tem a garantia do FGC, de até R$ 250 mil por CPF em cada instituição, e o Tesouro é garantido pelo próprio governo federal. Se você ainda não sabe quando vai usar, o Tesouro Selic é o mais tranquilo, porque oscila pouco e acompanha os juros básicos, que estavam em 13,75% ao ano em setembro de 2026.
No longo prazo, como aposentadoria, os títulos atrelados à inflação costumam fazer mais sentido. Em 25 de setembro de 2026, o Tesouro IPCA+ 2035 pagava a inflação mais 7,56% ao ano pra quem comprava, segundo os dados do Tesouro Transparente.
Essa taxa só é garantida pra quem leva o título até o vencimento. Quem vende antes recebe o preço do dia, que pode estar abaixo do que pagou se os juros subirem no caminho. E tanto o Tesouro quanto o CDB pagam imposto de renda sobre o rendimento, de 22,5% nos primeiros 180 dias a 15% depois de dois anos.
Uma parte pra gastar, de propósito
Guardar 100% do 13º fica bonito no papel e raramente sobrevive a dezembro. A gente prefere decidir antes quanto vai para presente, viagem ou aquela compra adiada o ano todo, e gastar essa parte sem culpa. Com um valor fechado, digamos 20%, o resto fica protegido.
No exemplo de quem ganha R$ 4.000 e recebe R$ 3.631,40 no total, a divisão poderia ser R$ 1.500 para os boletos de janeiro, R$ 1.400 para a reserva e uns R$ 730 pra gastar como quiser. Se houver dívida no cartão, ela vem antes de tudo isso.
Na Black Friday, faça a lista antes e acompanhe o preço dos itens desde já. Promoção que você só notou por causa da notificação quase nunca estava na lista. E antes de comprar numa loja que você não conhece, procure o endereço na lista de sites a evitar do Procon-SP, que reúne lojas que receberam reclamações, foram notificadas e não responderam ou nem foram encontradas.
Antecipar o 13º no banco é empréstimo
Todo fim de ano, os bancos oferecem a antecipação do 13º, às vezes com cara de vantagem para o cliente. É crédito com juros, descontado direto da parcela quando ela cair. Só faz sentido pra trocar uma dívida mais cara, como o rotativo, e mesmo assim compare o custo efetivo total com as outras opções.
Para quem não tem 13º, como MEI e autônomo, a lógica vira do avesso: ninguém vai pagar esse salário extra por você. Separar 1/12 do que entra todo mês numa conta à parte cria um 13º próprio, que cai exatamente quando você decidir.
