Cartão de crédito sem anuidade: quais valem a pena de verdade
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Cartão de crédito sem anuidade: quais valem a pena de verdade

Nubank, Inter, C6 e Mercado Pago não cobram anuidade, mas cada um cobra de outro jeito. Veja as condições, as letras miúdas e o que você perde no grátis.

O gerente liga oferecendo um cartão Platinum “isento no primeiro ano”. Você aceita, esquece o assunto e, treze meses depois, aparece uma linha nova na fatura: ANUIDADE 1/12. Ninguém mentiu. Só que a parte do “primeiro ano” foi dita bem mais baixinho que o resto.

Os bancos digitais transformaram o cartão sem anuidade em padrão de mercado, e isso foi ótimo pra quem usa cartão. O problema é que “sem anuidade” virou um rótulo que cobre coisas muito diferentes. Tem cartão grátis de verdade, tem cartão grátis com asterisco e tem cartão grátis que cobra de outro jeito. Em setembro de 2026, a gente leu as regras de Nubank, Inter, C6 Bank e Mercado Pago pra separar uma coisa da outra.

O que “sem anuidade” quer dizer, e o que não quer

Quando um banco fala em cartão grátis, ele pode estar falando de três coisas bem diferentes:

  • Sem condição nenhuma: não tem anuidade nem mensalidade, não importa quanto você gasta.
  • Com meta: a isenção vale enquanto você gasta um valor mínimo por mês ou deixa dinheiro investido no banco. Não bateu a meta, a cobrança volta.
  • Por tempo limitado: isenção nos primeiros meses ou no primeiro ano, como no cartão do gerente.

Mesmo no primeiro caso, sem anuidade não quer dizer sem custo. A regra do Banco Central sobre tarifas (Resolução 3.919, de 2010) prevê outras cobranças possíveis no cartão: segunda via quando você pede reposição por perda, roubo ou dano, saque na função crédito, pagamento de contas com o cartão e avaliação emergencial de limite. Some a isso os juros, se a fatura não for paga inteira, e o IOF de 3,5% nas compras no exterior, que é imposto e vale pra qualquer cartão.

A mesma resolução traz uma proteção que pouca gente conhece: pra criar uma tarifa nova de cartão ou aumentar uma que já existe, o banco precisa avisar com pelo menos 45 dias de antecedência. Grátis hoje não garante grátis pra sempre, mas pelo menos ninguém te pega de surpresa.

Nubank: o roxinho é grátis, o retorno de verdade é pago

O cartão de entrada do Nubank, o famoso roxinho, não cobra anuidade. Como recompensa, ele oferece o NuCoin, programa gratuito que o banco reformulou em setembro de 2026 e vem liberando aos poucos no app. Funciona por níveis: cada R$ 5 gastos no crédito vale 1 ponto pra subir de nível, e cada R$ 100 gera um número da sorte pra sorteios semanais em dinheiro. Nos níveis mais altos aparecem cupons de marcas parceiras e uma Caixinha Turbo que rende 115% do CDI.

É simpático, mas não é cashback. O que volta pro seu bolso depende de sorteio, de cupom e do nível em que você cai.

Quem quer retorno previsível no Nubank acaba no Ultravioleta, que dá 1,25% de cashback ou 2,2 pontos por dólar, devolve o IOF das compras internacionais e inclui quatro acessos por ano às salas VIP da rede Priority Pass. Só que ele custa R$ 89 por mês, a menos que você gaste mais de R$ 8 mil por mês no cartão ou mantenha R$ 50 mil guardados ou investidos no Nubank.

Faça a conta: são R$ 1.068 por ano. Com 1,25% de cashback, você precisaria gastar uns R$ 7.120 por mês só pra empatar com a mensalidade, e nesse ponto já está quase na meta de isenção de R$ 8 mil. Traduzindo: o Ultravioleta é ótimo pra quem já é isento. Pra todo o resto, é um cartão caro com um nome bonito.

Inter: todos os cartões são grátis, mas o ponto do Gold rende pouco

No Inter, os quatro cartões (Gold, Platinum, Prime e Win) são sem anuidade, e todos acumulam pontos no Inter Loop, que também não cobra nada. O que muda é o ritmo: 1 ponto a cada R$ 10 no Gold, a cada R$ 5 no Platinum, a cada R$ 2,50 no Prime e a cada R$ 2 no Win.

Pra ter uma ideia do valor, o próprio Inter diz que 50 pontos já viram R$ 1 guardado no Meu Porquinho, ou seja, 2 centavos por ponto nessa troca. Com essa régua, o Gold devolve cerca de 0,2% do que você gasta: uns R$ 6 por mês numa fatura de R$ 3.000. O Platinum dobra isso. O Win chega a 1%, mas pede R$ 1 milhão investido no banco.

Subir de cartão tem regra. O Platinum exige salário de R$ 6 mil ou mais recebido via portabilidade por três meses seguidos, ou gasto médio de R$ 5 mil em quatro faturas seguidas. O Prime pede a assinatura anual do Duo Gourmet ou gasto médio de R$ 7 mil, também em quatro faturas.

E tem duas letras miúdas que pegam muita gente. Nos cartões Gold, Platinum e Prime, só pontua quem mantém o débito automático da fatura ativo. Além disso, o saldo vale por 6 meses contados da última vez que você acumulou pontos: parou de usar o cartão, perde o que juntou.

C6 Bank: pontos que não vencem, mas andam devagar

O cartão de entrada do C6 e o C6 Platinum não cobram anuidade, e os pontos do programa Átomos não expiram. Só isso já coloca o C6 à frente de muito programa que apaga o seu saldo depois de dois anos.

A pegadinha é a velocidade. Sem plano pago, o acúmulo de Átomos é baixo, e o próprio C6 vende planos mensais que multiplicam a pontuação. Quando um banco cobra mensalidade pra você ganhar mais pontos, ele está te contando quanto vale o ponto que vem de graça.

Serve bem pra quem quer um cartão grátis e não tem pressa de trocar pontos. Se a ideia é juntar milhas, compare o preço do plano com o que ele entrega antes de assinar e confira os valores em vigor no app, porque esses planos já mudaram algumas vezes.

Mercado Pago: grátis sem asterisco, com o benefício dentro de casa

Dos quatro, o Mercado Pago é o que promete o “sem anuidade” mais limpo. Num texto publicado em 12 de setembro de 2026, a empresa diz que a anuidade é zero de forma permanente, sem gasto mínimo, sem período de carência e sem taxa pra emitir o cartão físico.

O benefício que realmente pesa fica dentro de casa: parcelamento em até 18 vezes sem juros em produtos selecionados do Mercado Livre. Cashback existe, mas depende do seu perfil e das promoções do momento, então não dá pra contar com um percentual fixo. O pedido é feito pelo app, passa por análise de crédito, e o próprio Mercado Pago fala em lista de espera.

Pra quem compra muito no Mercado Livre, é difícil achar coisa melhor pagando zero. Pra quem não compra, é um cartão grátis e pronto, o que também tem o seu valor.

Os quatro emissores lado a lado

CartãoAnuidade ou mensalidadeCondiçãoRetorno
Nubank roxinhoNão temAprovação de créditoNuCoin: níveis, cupons e sorteios
Nubank UltravioletaR$ 89 por mêsIsento acima de R$ 8 mil por mês no crédito ou com R$ 50 mil no Nubank1,25% de cashback ou 2,2 pontos por dólar
Inter GoldNão temConta aberta e crédito aprovado1 ponto a cada R$ 10, com débito automático
Inter PlatinumNão temSalário de R$ 6 mil via portabilidade ou gasto médio de R$ 5 mil1 ponto a cada R$ 5, com débito automático
C6 (entrada)Não temAprovação de créditoÁtomos que não expiram, acúmulo baixo sem plano
Mercado PagoNão tem, sem gasto mínimoAprovação de créditoAté 18x sem juros no Mercado Livre e cashback variável

Conferimos essas regras nos sites dos emissores em setembro de 2026. Cartão muda de regra com frequência, então confirme tudo no app antes de pedir o seu.

O que você deixa de ganhar com o cartão grátis

Cartão sem anuidade costuma vir com retorno pequeno ou nenhum e com menos mimos de bandeira, como sala VIP e seguros de viagem. Pra muita gente, isso não faz a menor falta. Uma viagem internacional por ano com R$ 5 mil em compras gera R$ 175 de IOF: dói, mas é bem menos que os R$ 1.068 que o Ultravioleta cobra de quem não é isento.

A conta muda quando o gasto é alto. Se você já passa de R$ 8 mil por mês no cartão, o Ultravioleta sai de graça e devolve mais de R$ 100 por mês em cashback. Nesse caso, ficar no grátis simples é que sai caro.

Como escolher sem cair em pegadinha

Antes de pedir qualquer cartão “grátis”, confira cinco coisas:

  1. Leia o que vem depois de “sem anuidade”. Se aparecer “com gasto mínimo”, “no primeiro ano” ou “para quem investe”, é isenção, não gratuidade.
  2. Abra a tabela de tarifas. Saque no crédito e pagamento de contas com o cartão podem ser cobrados mesmo em cartão grátis.
  3. Converta o retorno em reais. “1 ponto a cada R$ 10” parece bom até você descobrir quanto vale o ponto.
  4. Veja o que o programa exige em troca, como o débito automático do Inter, e se os pontos vencem.
  5. Pague a fatura inteira. No dado mais recente do Banco Central, de julho de 2026, o juro médio do rotativo estava em 436,15% ao ano. Um mês de rotativo custa perto de 15% do valor financiado, o mesmo que um ano inteiro de cashback de 1,25% sobre esse valor.

O melhor cartão sem anuidade é o que continua sem anuidade daqui a um ano e que você paga inteiro todo mês. Um roxinho ou um Inter Gold pago em dia deixa mais dinheiro no seu bolso que um cartão Black cheio de benefícios que passou um mês no rotativo.

Se hoje você paga anuidade num cartão que só usa pras compras do mês, peça isenção ao banco ou migre. Com tanta opção grátis na praça, pagar anuidade pela cor do plástico virou doação.

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